Trekking no Nepal, Annapurna: tudo o que precisas saber

Na garganta dos maciços rochosos do Annapurna.

👉Trekking: Santuário do Annapurna, inclui Poon Hill e Annapurna Base Camp (ABC)
👉Diração: 14 dias de 20/04/2019 a 03/05/2019, mas é possível fazer em 10-12 dias
👉98.5km (segundo o maps.me)
👉aprox. 2 805 000 degraus de pedra
👉4 130m altitude máxima no ABC
👉A nossa experiência prévia: nenhuma

Em Abril de 2019 passámos 14 dias nos trilhos do Annapurna, no Nepal. Trilhámos o nosso caminho até Poon Hill, um dos percursos mais curtos na região e considerado o melhor para principiantes. Além disso, fomos ainda ao Annapurna Base Camp, conhecido pela abreviatura ABC. Éramos totalmente inexperientes em trekking de vários dias e em altitude. Procurámos muita informação, falámos com muita gente. Fomos sem guia, inicialmente a medo e ganhámos à vontade pelo caminho.

Há várias questões importantes a considerar quando se decide fazer trekking em montanhas como as dos Himalaias. No artigo “Trekking no Nepal para principiantes” abordamos o B-A BÁ dos aspectos técnicos e de saúde para a melhor experiência possível. Abaixo abordamos:

    • factos sobre estas rotas;
    • tudo o que precisas saber para decidir se isto é para ti, esclarecendo dúvidas frequentes e cujas respostas por vezes foram difíceis de encontrar;
    • o passo a passo para te preparares para a grande aventura;
    • autorizações a adquirir para a região do Annapurna;
    • custos globais e diários;
    • o nosso itinerário;
    • checklists do que levar para poderes fazer as malas.

ATENÇÃO! Como referimos, éramos totalmente inexperientes quando iniciámos este trekking. A informação neste artigo parte da nossa pesquisa e curta experiência, pelo que serve apenas de referência. No site The Longest Way Home está compilada muita informação que te poderá ajudar com outras rotas. Consoante a estação do ano em que vás caminhar, há diferentes questões técnicas a considerar. Assim, pesquisa antes de ir.

No final deixamos-te checklists para te facilitar fazer a mala, as quais foram adaptadas a partir das listas que um amigo viajante generosamente nos passou. Queremos deixar-te o nosso agradecimento público, Anton, foste inspiração e uma ajuda preciosa para a nossa preparação.

Passagem na ponte suspensa em Jhinu Danda.

FACTOS SOBRE O TREKKING A POON HILL E ABC

ÁREA DE CONSERVAÇÃO DO ANNAPURNA
Com 7 629km2 esta é a maior área de conservação no Nepal e protege o maciço do Annapurna, que tem 55km de extensão. As rotas nesta região ficam muito congestionadas na época alta, pelo que não se recomendam a quem procure algum isolamento.

A caminho de Ghorepani. Bandeirinhas budistas coloridas de oração.

POON HILL TREK
👉Para quem? Muito popular; indicada para quem é inexperiente nestas andanças, tem pouco tempo ou quer um trekking pouco exigente no Annapurna
👉Duração? 4-5 dias
👉Dificuldade? Considerada fácil e adequada para famílias (de facto vimos muitas); tem milhares de degraus, que consideramos ser a parte fisicamente mais exigente
👉Ínicio? Nayapul, mas é possível fazer as primeiras vilas de jeep e encurtar caminho
👉Fim? Ghandruk, onde é possível apanhar jeep ou autocarro/ônibus
👉Altitude máx? 3210m
👉Destaques? De Poon Hill avista-se no horizonte Machhapuchhre (6 993M), Hiunchuli (6 441m), Annapurna South (7 219m), Baraha Sikhar (FANG) (7 647M), Nilgiri South (6 839M), Tukuche (6 920m) and Dhaulagiri (8 167m). Além disso, atravessam-se florestas incríveis, particularmente com o rhododendron florido na Primavera. Ghandruk e Landruk são vilas Gurung, onde se pode observar ainda a vida local e arquitectura tradicionais. Em Ghandruk, uma paragem na Asish Aama permite desfrutar de um pão Gurung e um chá com uma vista especial.

ABC TREK
👉Para quem? Muito popular; indicada para quem quer alcançar um dos base camps com uma das melhores vistas para a cordilheira dos Himalaias e para a 10ª montanha mais alta do mundo – Annapurna I
👉Duração? 8-10 dias
👉Dificuldade? Muitos degraus de pedra e a partir de Deurali torna-se mais íngreme, se houver neve é escorregadio – leva grampos
👉Ínicio? Iniciámos em Ghandruk, é possível iniciar em Kande ou Phedi. Para encurtar caminho podes ir de jeep até Ghandruk ou de autocarro/ônibus público até Kimche ou Landruk
👉Fim? Em uma das vilas acima referidas
👉Altitude máx? 4130m
👉Destaques? No ABC tens uma vista de 360º próxima ao maciço do Annapurna, incluindo Machhapuchhre (6 993m), Annapurna III (7 555M), Gangapurna (7 454m), Singu Chuli (6 501m), Annapurna I (8 091m), Annapurna South (7 219m) e Hiunchuli (6 441m). Além disso, atravessar o vale é lindo.

A caminho para Machhapuchhere Base Camp, MBC.

O QUE PRECISAS SABER SOBRE O TREKKING A POON HILL E ABC

QUAL É A MELHOR ÉPOCA?
1ª melhor época – final de Setembro a Novembro: as melhores vistas são nesta época, não chove
2ª melhor época – final de Fevereiro a Abril: os picos podem estar encobertos nas altitudes baixas, o rhododendron está florido e é lindo, o tempo começa a aquecer

QUE TEMPO APANHÁMOS EM ABRIL DE 2019?
Durante o dia fazia calor quando o sol brilhava e à noite o frio era intenso, particularmente nas regiões mais elevadas. Este ano a época das chuvas adiantou-se e apanhámos chuvada quase todas as tardes entre as 15h e as 17h. Nas regiões altas a neve marcou presença nos trilhos. Fizemos vários quilómetros de neve, a partir de Deurali.

SERÁ QUE A MINHA CONDIÇÃO FÍSICA É SUFICIENTE?
Uma regra base para nós, maçaricos no trekking, foi ir ao nosso ritmo. Evitar a exaustão é essencial para continuar a desfrutar do trekking. Uma saúde geral boa será, certamente, necessária, mas não uma preparação física específica. Vimos desde crianças de cinco anos a pessoas já avançadas na idade, como o Mrs Ken, japonês de 76 anos mais jovem que muitos com um terço da sua idade, com quem subimos até ao ABC. Por último, importa referir que patologias cardíacas e outras poderão ser limitantes, pelo que sugerimos que faças uma visita ao médico antes.

QUE DIFICULDADES PODEM SURGIR COM A ALTITUDE?
As alterações relacionadas à altitude chamam-se mal de altitude ou mal de montanha – em inglês “mountain sickness”. Geralmente começam a partir dos 3 000m e caracterizam-se por sintomas ligeiros, como falta de ar, dor de cabeça e tonturas. Se estes sinais se agravam, é necessário tomar medidas.

No trekking de Poon Hill o risco de mal de altitude é reduzido, porque permanecemos pouco tempo acima dos 3000m. É normal sentir ligeira falta de ar, ligeiras tonturas e/ou dor de cabeça, que acabam por passar espontaneamente conforme o corpo se ajusta à altitude.

No entanto, o percurso até ao ABC requer maior cuidado. A altitude chega aos 4 130m e, geralmente, permanece-se dois a três dias acima dos 3 000m. Há várias estratégias para facilitar a aclimatização. A melhor prevenção é ascender devagar, descansando e bebendo muita água.

Vista desde o Annapurna Base Camp, 4 130m, com o sagrado Machhapuchhre em destaque.

COMO FACILITAR O TREKKING EM DEGRAUS?
Disseram-nos que o percurso do ABC tem cerca de 2 800 000 degraus e Poon Hill na sua rota circular outros 5 000 degraus de pedra. Quanto aos números serem próximos à realidade, podemos apenas garantir que não os contámos, mas que a sensação é que a quantidade deve até superar estes valores!

Diz-se que a descer todos os santos ajudam. No entanto, o stick de caminhada vai ser um grande aliado. Subir degraus é exigente a nível cardiorespiratório, descer sacrifica os joelhos.

A rota de Poon Hill tem degraus contínuos entre Birethanti e Ghorepani, pelo que será mais fácil subir do que descer, por irónico que pareça. Calçado adequado a trekking com boa aderência é indispensável para garantir maior segurança. Claro, que vais questionar isto quando vires os “sherpas” de chinelos a carregar o seu próprio peso em bagagem…

PRECISO DE GUIA?
A resposta é não, ainda que te digam o contrário. Estas rotas estão muito bem assinaladas, não te vais perder. O maps.me funcionou quase sempre. Também não existem questões técnicas muito particulares, lê até ao final e estarás preparadx. Além disso, vais encontrar muita gente no caminho.
Isto não anula uma última reflexão: é claro que contratar um guia ajuda alguma família localmente.

VIAJO SOZINHX, COMO FAÇO?
De facto não é recomendável fazer o trekking sozinhx, porque no caso de te sentires mal ou teres algum acidente podes não ter quem te ajude de imediato. Recomendamos-te, por isso, que procures juntar-te a alguém antes de iniciares a caminhada. Lança o mote no grupo do Facebook “Nepal Backpackers Club”, há sempre gente a querer companhia.

COMO SÃO OS PREÇOS? POSSO NEGOCIAR?
Os preços estão todos tabelados pelo governo e apresentados no menu de cada alojamento. A expectativa é que se comam todas as refeições no alojamento. Não comer no alojamento pode criar mal estar e poderão cobrar-te mais caro pela cama, tal como está tabelado. Nos sinais pede-se que não se regateiem os preços. Da nossa experiência, os preços que nos ofereceram para dormir foram no geral abaixo dos tabelados por estarmos no final da época. Além disso, nalguns lugares poderás dormir sem pagar se consumires jantar e café da manhã. Nós não negociávamos neste sentido, porque queríamos partilhar algumas refeições e não estar tão comprometidos.

COMO FAÇO COM O DINHEIRO?
Leva todo o dinheiro que precises e mais um extra, em moeda local – rúpias nepalesas. A secção dos custos poderá ajudar-te nos cálculos. Não há ATMs na área de conservação e só vimos um banco em Ghandruk, sem ATM. Deves levar também um cartão de crédito para qualquer eventualidade, segundo nos explicaram os resgates são pagos a priori e só depois eventualmente reembolsados pelas companhias. Não que possas pagar com ele num terminal – tal não existe na região, mas para que possas ter os seus dados. Em último caso, se tiveres uma moeda como dólares ou euros podes tentar o câmbio localmente com outros turistas e locais, mas é mesmo como último recurso.

Ghandruk, vila Gurung.

VOU PODER CONECTAR-ME À INTERNET E FAZER CHAMADAS?
Nós tínhamos um SIM card da Ncell que raramente teve conectividade. Disseram-nos (tarde de mais) que a Nepal Telecom, NTC, tem a melhor cobertura nesta área.
Na maioria das guesthouses vais ver indicado que dispõem de WiFi, se te disserem que funciona bem, mentem. A conexão é muito irregular e, regra geral, permitiu apenas operações básicas como ver o email. Se chover, por regra também, perde totalmente a conectividade.
Deixa a família avisada que vais estar incontactável. Na verdade, isso vai permitir-te estar mais presente na experiência, na nossa opinião – nada é por acaso!

POSSO RECARREGAR OS ELECTRÓNICOS?
Sim, há rede eléctrica em todo o percurso. MAS… há muitos cortes e, por vezes, cobram a recarga de um dispositivo. Leva um power bank e recarrega-o sempre que tenhas a oportunidade e não te cobrem para tal.
A nossa recomendação é que não leves computador, porque o WiFi não te permitirá conectar e depois de uns dias cada quilo vai contar como uma tonelada.

COMO É UM DIA TÍPICO DE TREKKING?
A maioria começa a caminhar entre as 7h e 8h da manhã, caminhando entre 4h a 8h por dia. Assim, com frequência ao início da tarde chegam aonde vão pernoitar. Geralmente a hora da cama é c. das 20h ou 21h, principalmente se estiver frio.

O QUE POSSO FAZER NAS HORAS VAGAS?
Há dias que, começando cedo, terminas o trekking logo ao início da tarde. Leva um livro ou o kindle para ser mais leve. Cartas também podem animar estas horas, muitas vezes passadas nas áreas comuns com os outros companheiros de trekking.

QUAL O PESO IDEAL DA MOCHILA?
O peso ideal a carregar durante vários dias de caminhada? O menor possível! Leva só o estritamente necessário. Minimalismo é lei e vai salvar-te muito incómodo.

ONDE POSSO DEIXAR A BAGAGEM QUE NÃO LEVO?
Quer seja em Kathmandu ou Pokhara, os hotéis e hostels costumam permitir que se guarde a bagagem que não queremos carregar, incluso itens de valor. Alguns cobram, outros não. Nós deixámos onde estávamos a ficar em Pokhara, no Future Way Guesthouse. Não nos cobraram nada. Numa arrecadação ficaram as mochilas e o computador ficou com os donos, guardado no seu quarto. Correu tudo bem.

ONDE POSSO DORMIR?
O percurso tem vilas a cada 2-4h com alojamentos. Nalguns há espaços onde podes acampar, mas sai mais caro. Este facto juntamente ao peso de levar uma tenda faz com que não compense. Os alojamentos são idênticos nas condições que oferecem, básicos, sem AC e, regra geral, com WC partilhado. Há maior diversidade de oferta em vilas como Ghorepani.

ONDE CONSIGO ÁGUA PARA BEBER?
Nas cidades grandes é fácil encher a garrafa que tragas com água por NPR10=€0.08=$R0.35 cada litro. Este preço passa para NPR100=€0.80=$3.5 na região do Annapurna. É possível comprar água em estações geridas localmente, o que é uma forma de apoiar as comunidades locais. No entanto, nem sempre estão disponíveis.
Levar pastilhas Aquatabs para a purificação da água é essencial. Além disso é melhor levar garrafas de um material mais resistente que não as habituais de plástico do supermercado. O Aquatabs degrada este plástico!
Evita comprar água engarrafada em plástico, a gestão e lixo é um problema enorme no Nepal, ainda pior nas áreas de trekking.

O QUE SE COME?
Desde que tenhas dinheiro, não vais passar fome nestes percursos! Os menus são muito idênticos em toda a área do Annapurna, disponibilizando comida nepalesa e ocidental, como pizzas, hambúrgueres, massas italianas e chow mein, panquecas e sandes. No entanto, os preços são excessivos.

Recomendamos que leves alguma comida para energia extra, pelo que deixamos uma checklist no final que poderás considerar na tua preparação. O Dal Bhat é o prato mais económico e que mais sustenta porque se pode repetir sem mais custos. É combustível para os caminhantes.

Uma nota sobre as proteínas: se fôssemos de jogo não levámos o atum. Tivemos sempre proteínas disponíveis, quer vegetais (pela combinação de lentilhas e arroz), quer animais. Os ovos estiverem sempre disponíveis. A carne torna-se restrita a partir de Deurali, onde se entra numa região sagrada para os hindus. Incluso os locais atribuem o último grande desmoronamento de terras próximo a Deurali ao facto de uns coreanos terem comido carne de porco naquela região dias antes. No entanto, só se permanece nesta zona 2 a 3 dias no máximo, pelo que não comer carne não será um problema. Dizemos nós!

Dal Bhat power.
Levar alguma comida permite energia extra e economizar no dia-a-dia na montanha.

COMO CHEGO A NAYAPUL?
Se fizeres a rota que fizemos, começarás em Nayapul. Podes ir de Kathmandu em autocarro/ônibus, avião ou jeep. A nossa opção foi pelo mais económico como descrevemos abaixo:
1. Autocarro/ônibus público de estação de Balaju, Kathmandu a Pokhara. Nove horas de viagem para 220km. Bilhete comprado na bilheteira da estação NPR430=€3.4=R$15.7. Os assentos eram acolchoados mas sem espaço para as pernas. Fizemos amigos pelo caminho e o corredor ia a abarrotar. Gostamos de viajar nos transportes públicos pela proximidade que dá com os locais. No entanto, há muitas opções de autocarros/ônibus turísticos mais confortáveis que saem de Sorhakhutte, a 10min a pé de Thamel, Kathmandu: diurnos custam c. de NPR800=€6.4=R$29.3,  nocturnos NPR1200=€9.6=R$43.9.
2. Autocarro/ônibus público estação Baglung, Pokhara a Nayapul. Duas hora de viagem. Bilhete NPR200=€1.6=R$7.3.

COMO ME PREPARO PARA O TREKKING

SEGURO
Numa montanha tudo pode acontecer. O percurso a partir de Deurali foi particularmente desafiante. Na caminhada entre o Machhapuchre Base Camp (MBC) e o ABC uma pessoa sem grampos nos pés, escorregou pela encosta abaixo e embateu numa rocha. Aparentemente não ficou mais do que dolorida. No entanto, houve um vietnamita que teve de ser resgatado devido a mal de montanha. O único meio possível para resgate a partir de um certo ponto e o helicóptero, o que ascende a milhares de dólares – falaram-nos em US$5 000.
Garante que o teu seguro te cobre para assistência médica e resgate na altitude a que vais chegar. Garante que tens essas garantias por escrito. Vais precisar do número da apólice quando fores tratar das autorizações, como explicamos abaixo. Leva o contacto e número de apólice contigo.

O nosso seguro de viagem com a ERV só nos cobre até 3 000m, pelo que adquirimos um que fizesse a cobertura em maior altitude. Custou-nos para os dois €146.44=R$670.8 para cinco dias, com a mesma companhia. As vantagens deste seguro, além dos valores elevados que cobre de despesas médicas, são:

  • não ter período de carência. Pudemos activar no dia antes de sabermos que íamos passar os 3000m, uma vez que estávamos já cobertos pelo seguro de viagem que adquirimos por um ano só precisávamos deste para quando estivéssemos em maior altitude;
  • não ter franquia.

Uma questão a considerar é que o resgate de helicóptero estava coberto até €3000, o que, até hoje, não temos certeza se seria suficiente.
Na prática a nossa experiência com a ERV foi na Tailândia quando o Henrique teve Dengue e foi excelente.

QUAL A MOCHILA IDEAL?
Mochilas adequadas ao trekking são a melhor opção. Geralmente permitem arejar as costas e têm o cinto que fecha sobre as ancas, deixando o peso suportar-se aí e não nos ombros.
Claro que nós, estando numa volta ao mundo, usámos o que tínhamos. Eu, Ana, levei a “mochila de mochilão” de 50L+10 com o tal cinturão que retira o peso dos ombros. Apesar de não ter o arejamento nas costas das mochilas de trekking, foi muito confortável.
O Henrique deixou o mochilão com a restante bagagem em Pokhara e levou uma mochila mais pequena sem cinturão. Isso sobrecarregava-lhe os ombros.

A mochila com cinturão coloca o peso nas ancas, aliviando os ombros.

QUE ROUPA DEVO LEVAR?
Roupa de material respirável e de secagem rápida facilita a vida no dia-a-dia do trekking.
Qualquer quilo a mais quando se caminha por vários dias em altitude, vai acabar por se tomar uma tonelada. Reduz no número de itens. A lista no final do artigo vai ajudar-te.

QUE CALÇADO DEVO USAR?
Um calçado adequado a trekking em montanha é primordial. Se se adequar a neve e for impermeável, então tens qualquer situação coberta. No nosso caso usámos o que tínhamos – botas de trekking da Merrel, resistentes à água. Passamos a publicidade porque não ganhamos nada. Partilhamos esta informação porque foram 14 dias SEM bolhas nem dores nos pés. Surpreendeu-nos imenso. Além disso, levámos os grampos para a neve, explicamos abaixo em “Outro Equipamento”.
Recomendamos que leves uns chinelos, tipo Havaianas, para usares para nos banhos e para aliviar os pés ao fim do dia.

DE QUE OUTRO EQUIPAMENTO PRECISO?
Óculos de sol para a neve, polarizados melhor.
Luz de cabeça para compensar todos os cortes e usar nas ascensões a meio da noite para o nascer do sol.
Saco cama para aquecer à noite. Nós levámos sacos cama compactos da Decathlon para mínimo de 15º/10º e foi suficiente juntamente com a manta que nos forneciam nos albergues. Noutras alturas do ano as temperaturas requerem material mais quente.
Mapa em papel funciona quando a tecnologia falha. Compra em Kathmandu ou Pokhara a versão mais recente.
Grampos para neve salvaram-nos a caminhada a partir de Deurali até ao ABC. Se houver neve no percurso, são imprescindíveis por questões de segurança. Pergunta localmente em Kathmandu ou Pokhara e também nos grupos de Facebook, como o “Nepal backpackers club”, quem esteve lá recentemente vai poder informar-te.

DEVO COMPRAR OU ALUGAR O EQUIPAMENTO?
Podes adquirir ou alugar todo o equipamento que precises no Nepal, com preços vantajosos. Em Kathmandu, no bairro de Thamel e em Pokhara as lojas de material técnico multiplicam-se. A North Face nepalesa cumpre o objectivo! Se queres melhor preço, visita várias e negoceia. Para algum material e dependendo do número de dias que o uses, alugar pode não compensar.

Se precisas daquele equipamento só para aqueles dias específicos, talvez não te compense comprá-lo novo. Outra alternativa é entrares nos grupos de Facebook onde diariamente os trekkers tentam revender o que usaram. Procura:
-Used Trekking gear Nepal
-Sell your Trekking gear

Foi aqui que adquirimos o que precisávamos, excepto as luvas. Foi aqui também que revendemos o material no final.

COMO PREPARO OS PRIMEIROS SOCORROS?
As farmácias localmente podem ajudar-te a fazer um kit de primeiros socorros. Zolamide ou equivalente para mal de altitude é obrigatório por prevenção.

QUE PRODUTOS DE HIGIENE DEVO LEVAR, ALÉM DOS HABITUAIS?
Papel higiénico nunca decora os WC nepaleses, menos ainda nas montanhas. Inclui nas compras.
Desinfectante das mãos da jeito quando a água não está disponível.
Toalhitas poderão ser um grande aliado quando o banho de tornar gelado.
Protector solar é indispensável. Fartámo-nos de ver pessoal com narizes a pelar.
Protector labial para o frio.

Um local a transportar mercadoria nos Himalaias.

AUTORIZAÇÕES PARA A ÁREA DE CONSERVAÇÃO DO ANNAPURNA

Em Kathmandu ou Pokhara, dirige-te a um escritório da ACAP para adquirires:
TIMS NPR2000=€15.8=R$70.3
Permit NPR3000=€23.6=R$105.5

Adquirir estes documento à entrada da área de conservação custa um total de NPR8000.

O processo é descomplicado e rápido, pelo menos assim foi em Pokhara. O que levar:
-passaporte original
-nº da apólice e contacto do seguro
-dinheiro

Os formulários preenchem-se na hora e as duas fotos necessárias eles tiraram no momento gratuitamente.

CUSTOS

Os custos variam imenso de pessoa para pessoa e da época do ano, ou seja, se fores em Dezembro faz mais frio e precisas de equipamento mais quente, o que pode ser um custo extra. Assim, ressalvamos que estes valores servem apenas de referência. Relembramos que viajamos em low cost e procuramos poupar em tudo quanto podemos. Mesmo assim estão aqui incluídas umas cervejinhas na última noite para celebrar! Além disso, dividimos algumas refeições o que reduz o custo. Consideramos que, individualmente, deves considerar um gasto diário de €20 a €25 para ires confortável e fazer face a imprevistos. Deixamos-te todas as nossas contas abaixo.

  Média diária individual
Gastos Totais
Dia-a-dia na montanha, seguro, equipamento e autorizações
€25.5/R$117
Gastos no dia-a-dia na montanha / cada €16/R$73

Agora analisamos as duas rotas de forma independente.

ROTA Média diária individual
Poon Hill
5 dias, Nayapul a Ghandruk
€16/R$73
ABC
9 dias, incluindo desvio a Landruk
€18/R$82

No gráfico abaixo observamos o que pesou mais no nosso orçamento.

Os preços aumentam na rota do ABC após Chomrong. Além disso, é preciso referir que durante os primeiros seis dias conseguíamos partilhar algumas refeições, mas depois tínhamos imensa fome e precisávamos pedir um prato cada um.
Quanto ao investimento inicial em equipamento, foi reduzido pois tínhamos a maioria do material, ou melhor, desenrascámo-nos com o que tínhamos. Houve um stick que pedimos emprestado num hotel onde ficámos em Pokhara (tivemos sorte de não cobrarem, normalmente cobram), assim só comprámos um par em segunda mão. Do mesmo modo, adquirimos os grampos e as garrafas de água nos grupos de revenda do Facebook já referidos.
Só comprámos novo um buff para o pescoço, um mapa e cartas de jogar!

ITINERÁRIO

DIA Percurso Elevação Máx. Desnível Tipo de Percurso
1 1. 🚌 Pokhara👉Nayapul 2h

2. Nayapul 👉Hile 9km, 3h30

Hile 1460m +640m Até Sudame pouca elevação, essencialmente recto. A partir daí começaram os degraus de pedra. Vista para hortas em terraços com ceifeiras. Homens e animais de carga passam constantemente por nós.
2 Hile👉Ban Thanti 4.2km, 3h Ban Thanti 2 210m +690m Degraus de pedra a subir “all the way”! Muito acompanhado com povoadas e comércio.
3 Ban Thanti👉Ghorepani 6km, 5h Ghorepani 2 874m +664m Degraus de pedra e mais degraus. Muitos povoados. Caminhamos muito tempo pela floresta de rhododendron, simplesmente mágico.
4 POR ETAPAS

Tempo total: aprox 8h

1. Ghorepani👉Poon Hill👉Ghorepani 2.8km, 1h subir, 30min descer
Subimos às 3h50 para o nascer do sol. Precisámos ir devagar, sentimos o efeito da altitude.
*tivemos de voltar porque esquecemos a mochila!

2. Ghorepani👉Deurali Pass 1.8km, 1h30min

3. Deurali Pass👉Ban Thanti 4.4km, 3h

 

 

 

Poon Hill 3210m

 

 

 

 

 

Deurali Pass 3 090m

Ban Thanti 2 668m

 

 

 

+336m

 

 

 

 

 

+230m

-422m

 

 

Intercalamos degraus e trilho, entre caminhada na crista da montanha e por floresta de bambu e rhododendron

 

5 Ban Thanti👉Ghandruk 8.6km, 6h Ghandruk 1 940m -728m Maioritariamente a descer, muitos degraus de pedra
6 Fim do trekking de Poon Hill, 39.6km
😎 Ghandruk chilling!
Total
+2 140m
7 Ghandruk👉Landruk 3.4km, 2h Landruk 1 565m -600m; +225m

 

Degraus de pedra. Primeira hora desce-se até ao rio, a Kyumi e cruza-se a ponte. Depois é só subir até Landruk. Muitos terraços agrícolas e fetos grandes. Parece cenário do Jurassic Park!
8 Landruk👉Jhinu Danda 5.9km, 3h Jhinu Danda 1 780m -225m; +440m Intercala trilho e escadas de pedra, desce suavemente até New Bridge, depois é só subir em escadas.
9 Jhinu Danda👉Bamboo 9.3km, 4h Bamboo 2 310m +530m

 

Até Sinuwa é essencialmente a subir em degraus de pedra. Depois

fica muito mais suave, com grandes porções de trilho.

10 Bamboo👉Deurali 7km, 5h Deurali 3 200m +890m Intercala trilho e escadas de pedra, subidas e descidas, bem mais suave do que anteriormente. A partir de Himalaya deixamos a floresta, a paisagem torna-se mais inóspita. As montanhas estão muito próximas. Caminhamos na garganta de dois maciços rochosos.
11 Deurali👉Machhapuchhre Base Camp (MBC) 3.8km, 2h MBC 3 700m

 

+500m

 

trilho com muitas pedras. Há duas pontes sobre o rio Modi Khola. A primeira em Deurali para passar pelo lado direito, evitando a zona de deslizamentos de terra e avalanches. Esta ponte é assustadora! Este percurso requer crampons.
12 1. Machhapuchhre Base Camp (MBC)👉Annapurna Base Camp (ABC) 3.3km, 2h

2.ABC👉MBC ⬇️3.3km, 1h

3.MBC👉Dovan 8.5km, 4.5h

ABC 4 130m

 

 

 

Dovan 2 505m

+430m

 

 

 

-1 625m

13 Dovan👉Jhinu Danda 12km, 5.5h Jhinu Danda 1 720m -785m
14 1. Jhinu Danda👉Siwai 7.8km, 3.5h

2. 🚌 público Siwai👉Pokhara 50km, 2.5h, 300PNR

Pokhara 900m -820m
Maciço do Annapurna.

LISTAS DO QUE LEVAR

AUTORIZAÇÕES
–  Tims 2000
–  Trekking permit 3000

EQUIPAMENTO
–  Saco-cama
–  Luz de cabeça
– Mapa
– Óculos de sol
– Trekking sticks (nas lojas NPR500/cada; em 2ª mão NPR 200/cada)
– Grampos para neve (em 2ª mão NPR800)
– Garrafa de água de alumínio (nas lojas NPR450; em 2ª mão NPR 250)

FARMÁCIA
– Aquatabs (50 por NPR200)
– Zolamide (para mal de altitude; 10 comprimidos por NPR100)
– Eletrólitos
– Primeiros socorros

HIGIENE
– Papel higiénico
– Desinfectante das mãos
– Pasta de dentes
– Escova de dentes
– Creme hidratante
– Toalhitas
– Protector solar
– Batôn para cieiro

ROUPA:
– 1 blusa térmica de manga comprida
– 1 calças térmicas
– 1 casaco polar
– 1 casaco quente
– 1 corta-vento
– 1 calças de trekking
– Roupa interior
– 2-3 t-shirts
– 3-4 pares de meias de trekking
– 1 par de sapatos de trekking
– 1 par de Havaianas
– 1 luvas corta-vento
– 1 buff para pescoço e cabeça
– 1 par de calções
– 1 boné
– 1 gorro
– 1 toalha

COMIDA
– Manteiga amendoim
– Atum
– Chocolates
– Tangerinas
– Bolachas
– Muesli (Mountain Man são óptimos!)
– Frutos secos

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